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Neurotecnologia, Bioética e Direito: uma breve reflexão sobre Beneficência, Congruência e Verdade

Revista Portuguesa de Bioética

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão jurídico-filosófica sobre o impacto da neurotecnologia nos fundamentos normativos das respostas jurídicas. A partir de uma abordagem analítica e crítica, sustentada em revisão bibliográfica interdisciplinar, examinam-se três conceitos fundamentais – beneficência, congruência e verdade – como eixos estruturantes de um diálogo entre neurociência, bioética e direito. O objetivo é o de abrir um espaço de problematização que reconheça a complexidade crescente das tecnologias que intervêm na mente humana e desafiam categorias conceptuais tradicionais como autonomia, imputabilidade e dignidade. Defende-se que só uma reconfiguração ética dos princípios jurídicos, ancorada numa ideia de saúde como desenvolvimento humano, poderá responder aos imperativos normativos que emergem no cruzamento entre neurociências e justiça.

Introdução

neurotecnologia, bioética, beneficência, congruência, verdade, filosofia do direito, saúde como desenvolvimento humano.

Os movimentos críticos da psiquiatria, que marcaram o início do século XX, destacaram a subjetividade do juízo psiquiátrico e, ao afastar-se da crença no julgamento clínico tradicional, abriram caminho para a exigência de um novo tipo de verdade (Curado, 2007).

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